quinta-feira, 18 de novembro de 2010

E lá se foram 4 anos...

Hoje foi oficialmente o meu último dia de aula na faculdade. Há dias eu já sentia uma tristeza, misturada com alegria e motivação, mas hoje foi especial. Olhei com detalhe a expressão do meu professor, registrei na memória os traços fortes de lápis na prova do meu amigo, que sentou ao meu lado. Ao entrar na sala do meu coordenador (e amigo), reforcei: "é a última vez que entro aqui como aluna". Ao entregar os livros na biblioteca, fixei meu olhar nos livros e pensei: "esse acervo não será mais visitado por essa menina curiosa, feito Alice no país das maravilhas, que lê livros de outras disciplinas e tudo o que colocar na frente".

Durante todos os 4 anos, aprendi muito mais do que teorias econômicas. Lições de vida que levarei comigo para sempre, verdades incontestáveis (e infelizes), como também descobertas maravilhosas. Quem eu achava que era amigo na verdade nunca foi e, quem eu jamais pensei seria, hoje é minha riqueza, um belo "legado bacharel", posso dizer. O carinho de cada professor, cada qual com sua particularidade e excentricidade, vai fazer falta. Os "mimos" que senti ao longo do curso pode me deixar mal acostumada com as verdades da vida acadêmica. Tive dias de pura adolescência, com amor platônico que depois se tornou namoro de verdade. Em muitos momentos senti o peso de representar pessoas com tanta personalidade, e faltou jogo de cintura para levar tudo até o final. Houve paciência para contornar situações desagradáveis com professores, mas também picos de exaltação em que os nervos estavam à flor da pele que ficarão na lembrança de uma turma tão ímpar...

Com toda bagagem que a faculdade me deu, ainda sinto que falta muito. Em termos acadêmicos, não sou nada. Economista de verdade, só me considerarei após doutorado. Aí sim vou poder dizer que sou "dotôra". Agora é como se eu pudesse ver uma brecha de uma porta se abrindo, com uma intensa luz por trás dela. Cabe a mim, apenas a mim, abrir a porta e conseguir encarar essa luz e tentar fazer parte do brilho, que ofusca os outros que estão vendo brecha, ou verão lá no futuro. Tenho a opção de usar óculos escuros, mas não poderia ver a beleza ao fazer parte dessa luz. Também tenho a opção de fechar essa porta e abrir outra, afinal, conhecimento nunca é demais e quem sabe de tudo um pouco, acaba sabendo mais.

Agora não é hora de sonhar com a profissão, mas sim fazê-la acontecer. Já nos ensinaram a pescar e nos mostraram onde fica o rio, só falta colocar a isca no anzol... Uma etapa eu já venci, mas ainda falta tanto... Dedicação e determinação são as palavras de agora em diante. Mais um ciclo que se fecha, mas outro se inicia, com suas surpresas e desafios.

Sentirei saudades das aulas, da rotina, da relação com os doutores, mestres e professores que tanto me ensinaram. Mas agora é hora de inspirar e experimentar tudo o que é de novo que a vida lhe proporciona. Enjoy it!

Boa sorte à todos os universitários do Brasil! Que a determinação e a garra estejam contigo!
The show must go on...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Guerra Cambial - o que vem a ser isso??

Muito se fala na guerra cambial, mas poucos entendem. Vou tentar explicar aqui, de forma bem simples (espero!). Não vou usar economês, vou me esforçar!!

Bem, com a crise do sub-prime (títulos podres que ninguém dizia que era podre, e que se espalharam pelo mundo), causou vários impactos na economia. Para que o estrago não fosse maior, autoridades monetárias entraram em ação para salvar os países em crise, afinal, as dívidas soberanas (do governo) e o desemprego estrariam em níveis jamais imaginados. Os EUA, como o país mais afetado por essa crise, teve que tomar um rumo, pois outras formas de levantar a economia (digamos, as cartadas que poderiam ser dadas) já eram...

Opçõe para aquecer uma economia de um país (básicas):

1- Taxa de juros: Nos EUA, beiram 0%, e como não pode ficar negativo (hahaha), fica do jeito que tá - NÃO MEXE NO QUE TÁ QUIETO.

2- Aumento dos gastos do governo: é uma forma de aquecer a economia, mas a esas altura do campeonato, os americanos não querem gastar muito (já gastaram o que não tinham....)

Então o jeito foi mexer no dólar! Emitindo mais moeda, enxurrada de dólar pelo mundo.... Muita oferta, o preço cai, como banana nanica na feira de Registro-SP (terra da banana).

Desvalorizar o câmbio é uma forma de estimular as exportações, fortalecendo o mercado interno. (A China faz isso, artificialmente). Mas nesse cenário, o Real ficou mais caro, estimulando a importação e prejudicando as exportações. Isso também contribui para manter a inflação na linha, pois como lembro das aulas do grande Corinthiano Profe San Martins, a importação entra como concorrente no mercado nacional, aumentando a competitividade entre os agentes (competição de empresas = preço baixo).

E nessa onda, o IOF (Imposto sobre Operaçaõ Financeira) para investimentos estrangeiros está a 6%. Segundo as palavras do grande Guigui (Guido Mantega, Ministro da Fazenda) esse aumento tem com objetivo diminuir a rentabilidade e afastar aqueles que querem "usufruir" dos altos juros que o Brasil paga. A intenção é fazer o gringo deixar a grana aqui por mais tempo, para ele ganhar o suficiente para pagar os 6% e ainda levar lucro. Se ele entrar aqui, investir, e sair em um ou dois meses, o investidor vai perder grana.

Tudo na Economia é regido pela oferta e procura. Com o câmbio isso não poderia ser diferente: a oscilação do preço (tudo na economia é determinado pelo preço) é o indicador se está entrando muito dólar no país ou não. No caso de hoje (Dólar a R$ 1,6760) é sinal de que dólares estão entrando muito... (Para comprar 1 dólar, você precisa de 1 real e mais 67 centavos para comprar) Estamos pagando "caro" por 1 dólar (há quem pague, então eu vendo).

Basicamente, Guerra Cambial é isso: tentativa de salvar a economia de um país, mesmo que a pimenta nos olhos dos outros seja refresco...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dilemas Econômicos


A cada dia que eu estudo mais sobre investimentos em ações, menos eu sei que tipo de análise fazer...

Para analisar um setor e identificar as empresas em potecial desse mercado, há duas formas de análise: a Fundamentalista e a Gráfica. A Fundamentalista é aquela onde se considera as informações contábeis das empresas, sintetizados em índices, comparando os resultados entre uma companhia e outra. Já a Gráfica é com base nas informações que os gráficos representam o sobe e desce do preço das ações. Cada estudo tem suas particularidades, cada uma possui seus critérios e suas justificativas. Não andam juntas, mas podem ajudar e muito na hora de investir.

Hoje, durante a aula do Professor Guilherme, um assunto me chamou atenção: "Uma empresa endividada é bom ou ruim?". De acordo com a discipla de Análise de Balanços que tive um tempo atrás, não é bom. Vamos ao assunto da aula...

Teorema de Modigliani-Miller (M&M): Com um argumento bem simples, a Teoria da Irrelevância dos dividendos nos diz que o valor de uma empresa depende exclusivamente dos seus lucros, e não pela forma como esse lucro é alocado em lucros e dividendos. Resumindo: quando se tem ações de uma empresa, o que se espera é que se ganhe dinheiro. M&M diz que, se os dividendos forem reaplicados na empresa, com intuito de gerar mais investimentos que elevem o seu valor, é uma forma de se obter retorno - a empresa terá caixa para tocar o seu fluxo e o valor da empresa tende a aumentar. Isso é comum nos EUA, onde há tributação sobre os dividendos, e isso nada mais é que um estímulo para a empresa continuar a prosperar. Aqui no Brasil isso não ocorre: o dividendo não é tributado e ele não pode ser inferior a 25%. Quem é tributado é aquele que gerou o lucro. Controverso? Então leia mais...


Teorema de Myron Gordon e John Lintner: Aqui, o valor da empresa é mais "poderosa" quando há um alto índice de distribuição dos dividendos. A premissa básica é de que, se em um ano a empresa distribuiu "bem" seus rendimentos, será ainda melhor no ano seguinte. E também tem outra coisa: melhor ter um dinheiro na mão do que dois voando (esse teorema é conhecido como a "Teoria do Pássaro na Mão", nome dado pelo M&M). Nesse caso, os investidores valorizam mais o valor do dividendo do que o ganho de capital. Isso é justificado também pelo critério "tributação": aqui no Brasil o dividendo não é tributado...

Tem também a Teoria da Preferência Fiscal, onde não se é pago os impostos ganhos de capital até que a ação seja vendida. Tem também Efeito Clientela, Teoria de Agência, Trade-off...

Então, o endividamento de uma empresa nem sempre pode ser considerado um fator negativo. A análise deve considerar também ONDE esse empréstimo será aplicado, se for na produção (melhorias nas máquinas e equipamentos para redução do custo) ou em novos projetos...

Tudo na vida econômica "depende".

Se você se sente mais confortável com o teorema M&M, ou se é com a do Pássaro na Mão, a escolha é sua. Go on. Não existe a fórmula mágica para os investimentos, mas esses teoremas ajudam a evidenciar algumas coisas que podem contribuir para formar a sua carteira de ações. Tudo isso ainda faz parte da Análise Fundamentalista... E ainda tem a Gráfica! hehehe

Mas vou deixar para outro post, é muito dilema para um assunto só.

Beijos e até mais!

domingo, 26 de setembro de 2010

A origem das boas ideias

A primeira coisa que vem na cabeça quando pensamos em empreendedorismo é: ter uma ideia de negócio.

Fuçando pela internet achei um vídeo sensacional do TED (evento em que ocorrem as melhores palestras do mundo) que trata justamente sobre esse tema.

Infelizmente não consegui achar uma versão do vídeo com legendas, então segue um pequeno resumo pra quem tiver dificuldades com o inglês.

Características de boas ideias

Como será que surgiu a ideia de fazer essa montagem?

Ideias levam tempo para amadurecer
É muito comum pensarmos naquela ideia genial que mudou o mundo do dia pra noite. Porém, na realidade uma ideia leva tempo até que seja transformada em algo palpável que cause impacto na vida das pessoas.

Para inovar e criar uma empresa a partir de uma ideia, é fundamental saber que ideias levam tempo para amadurecer e tomar a forma de algo que seja realmente aplicável na prática.

Boas ideias são um somatório de palpites
Uma ideia sozinha não serve pra muita coisa. Se você quer construir algo relevante, saiba que muitas outras ideias serão somadas à ideia inicial. Inclusive, se você pretende fazer uma ideia ter impacto, se prepare para ouvir palpites contrários à sua opinião.

Saber ouvir as pessoas e agrupar palpites à sua ideia é o que diferencia as pessoas que conseguem construir algo das que ficam só no mundo das ideias.

A inovação quando as pessoas estão conectadas
O pensamento comum é de que as ideias inovadoras surgem quando você está trancado em um laboratório focado em resolver algum problema específico e tem a sorte de pensar em uma ideia genial. Porém, a construção de uma boa ideia (soma de palpites) é acelerada quando você se conecta com outras pessoas.

Pra resumir, tem uma frase muito bacana do vídeo: A sorte favorece as pessoas que estão conectadas.


Conclusão

Na prática, pra que sua empresa tenha um grande diferencial competitivo, você precisa ser uma máquina de geração e execução de ideias.

Se você quiser se aprofundar no assunto, recomendo muito ouvir o episódio 1 do Empreendecast: como gerar ideias para sua empresa.

Abraços,
Millor Machado (a favor de boas ideias)

Obs.: Impressionante como os corretores ortográficos ainda não aprenderam que ideia não tem acento!

http://www.saiadolugar.com.br/2010/09/24/a-origem-das-boas-ideias/

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

"Calculadora maluca" diz quando comprar e vender ações da Bolsa

Ferramenta nasceu de conceitos de economia, geometria e astrologia; analistas alertam para riscos de métodos que parecem mágicos

Olívia Alonso, iG São Paulo | 25/08/2010 05:45

Imagine uma calculadora capaz de apontar quando a Bolsa de Valores vai atingir máximas e mínimas. Com ela, o investidor sabe o momento certo de comprar e vender as ações e, assim, ganhar dinheiro. É o que faz o economista José de Oliveira Barros, que trouxe a chamada “Calculadora dos Quadrados Naturais” dos Estados Unidos para o Brasil e afirma ter ficado “muito bem financeiramente” com ela. O método é tentador, mas requer cuidados, segundo analistas.

Criada no início do século passado pelo matemático e operador de mercado norte-americano William Delbert Gann, a Calculadora dos Quadrados Naturais é composta por réguas circulares e retangulares, números e ângulos. A partir do posicionamento das réguas em datas e números (que podem significar preços ou pontos), os ângulos formados entre elas ditam se o momento é de virada de preços (“turning points”), suporte (valor mínimo) ou resistência (valor máximo). Há uma legenda para indicar o que significa cada ângulo.

Com a ferramenta, Barros diz que foi possível prever os pontos máximos do Ibovespa – o índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) – em 2008 e 2009. Em um relatório publicado em 2007, o economista havia ditado o comportamento do índice para o ano seguinte. Para chegar aos números, ele posicionou as réguas nos ângulos que, na legenda, correspondiam aos pontos de máximas. Além disso, o uso da calculadora requer também o conhecimento de um componente da análise gráfica tradicional, que é a observação da performance do preço do ativo na história, segundo Barros.

“Antes de ler a calculadora, é preciso conhecer o histórico do mercado e analisar graficamente se o movimento é de ascensão ou declínio”, explica. Pelo histórico do ativo, o analista projeta os ciclos no futuro e identifica se a trajetória é para cima ou para baixo. Para isso, Barros possui uma base de dados e estuda constantemente o comportamento das commodities, ações ou índices de ações. Para este ano, ele diz que as réguas apontam para um terceiro trimestre ruim para o Ibovespa. “A tendência é de baixa até 2012”, completa.

Calculadora dos Quadrados Naturais foi elaborada a partir de conceitos de astrologia, geometria, economia e religião

Método atemporal

Para fazer projeções como a do Ibovespa, Barros diz ter estudado a Calculadora dos Quadrados Naturais e seu criador, o matemático William Delbert Gann, durante mais de quatro anos. “Eu atuava no mercado desde 1985, mas em 2006 decidi deixar tudo e me dedicar ao estudo do método de Gann, que eu já conhecia um pouco”, conta.

Fonte: http://economia.ig.com.br/mercados/capitais/calculadora+une+astrologia+e+economia+para+quem+investe+em+acoes/n1237758273089.html

Comentário: Eu ainda prefiro Análise Técnica e Análise Fundamentalista.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

“O autoengano e a economia”, por Hugo Meza e Marcus Eduardo de Oliveira

23 de agosto de 2010


Alguns dos títulos de livros de autoajuda disponíveis nas prateleiras das livrarias brasileiras, dentre outros, são: “Quem pensa enriquece”; “10 respostas que vão mudar sua vida”; “Mentes brilhantes, mentes treinadas”; “Como fazer os deuses trabalharem para você”.

Todos esses títulos, e mais um monte deles, classificados como de autoajuda, objetivam encorajar as pessoas a acreditarem que podem cumprir seus objetivos, que são capazes e que, cedo ou tarde, vencerão num mundo cada vez mais marcado pela dinâmica da competição e do “salve-se quem puder”.

Dados da Câmara Brasileira de Livros, corroborado pelas listas de livros mais vendidos divulgados em jornais e revistas de grande circulação nacional, mostram nos últimos anos um crescimento exponencial desse tipo de literatura no país, o que indica, certamente, que cada vez mais, as pessoas perseguem seus objetivos coadjuvados por elementos motivacionais. A lista desses títulos, reiteramos, é extensa e seus autores estão mais populares a cada dia. Desse modo, isso nos permite fazer algumas considerações pertinentes, uma vez que a palavra-chave, neste tipo de literatura é motivação.

O termo motivação deriva do latim movere, que significa mover, perseguir objetivos. É mais ou menos isso que os livros acima citados pretendem fazer: mexer com os ânimos internos de tal forma que possam viabilizar ou, pelo menos, estimular a tentativa de levar cada um ao objetivo final, qual seja: conseguir os resultados esperados.

Ao se valer deste tipo específico de literatura, procurando ajuda externa para animar a vontade interior, reside, todavia, uma pergunta que nos leva à reflexão e que permite, por conseguinte, alguns desdobramentos: isso seria um ato de autoajuda ou de autoengano?

O biólogo Robert Trivers, considerado o principal expoente da Psicologia Evolutiva, defende que os humanos evoluíram para acreditar em mentiras que os façam se sentir melhores e que justifiquem, doravante, suas atitudes. Nessa mesma linha de raciocínio, o economista brasileiro Eduardo Giannetti da Fonseca escreveu uma obra precisamente com um título bem provocador: “Autoengano”.

Na obra, Giannetti discute a possibilidade de que nós humanos estejamos seriamente enganados sobre nós mesmos e sobre crenças, paixões e valores que nos governam. Estaríamos, na opinião desse autor, numa espécie de completo autoengano – por vezes, sem mesmo nos darmos conta disso. Este autoengano seria, portanto, mais complexo e perfeito, quanto menos for um ato planejado ou voluntário, daí a necessidade de se ter elementos internos e externos para poder contribuir para a obtenção dos resultados.

Assim sendo, a autoajuda seria o processo pelo qual os seres humanos se predispõem (na verdade, se autoenganam) a receber estímulos internos e externos para conseguir atingir objetivos pré-determinados. Aparentemente, haveria um complô estabelecido por nós mesmos que muitas vezes seria coadjuvado por elementos externos (é neste ponto que a literatura de autoajuda se encaixa e faz relativo sucesso, explorando um nicho em nosso comportamento, pois percebe a existência de certa “fraqueza” em nossas atitudes comportamentais) em procura de resultados esperados.

Conquanto, mesmo que sejam temporários (e na maioria de vezes de fato são), estes resultados causariam sensações de bem-estar compartilhado. Portanto, a motivação (o mover-se, ainda que de forma individual) seria uma atitude oportunista do ser humano cujo resultado aponta o dedo em riste para a sensação de vida melhor – uma espécie de realização hedonista preconizada pelos clássicos gregos da Filosofia.

Na esteira destes comentários, é oportuno lembrar que no século XIX, o economista e filósofo moral escocês Adam Smith (1723-1790) escreveu “Teoria dos Sentimentos Morais”, por sinal, seu primeiro livro publicado em 1759, apontando que “os seres humanos são entes racionais que sempre perseguem seu autointeresse. Porém, mesmo seguindo esse interesse próprio, a racionalidade humana, se tiver liberdade para ser expressa e praticada, levaria ao progresso da sociedade”.

Segundo Smith, o mercador ou comerciante, por exemplo, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade.

Interpretando o ponto de vista de Smith é perfeitamente possível ter equilíbrio econômico sendo egoísta e se autoenganando. Nisso não reside nenhum conflito, em nosso entendimento. Nessa mesma ótica, o economista canadense radicado nos EUA, John Kenneth Galbraith (1908-2006) afirma que “os seres humanos, em contraste com as máquinas, avaliam suas próprias posições em relação ao valor de outras e passam a aceitar os objetivos dos outros como os seus, ou seja, um autoengano coletivo com benefício comum”.

É mister reiterar, por outro lado, que a teoria econômica também mostra (e não mascara) as limitações do ser humano. Wiliam Stanley Jevons (1835-1882), economista que se especializou em estudar filosofia e moral, menciona esta temática quando trata de dois dos sentimentos específicos: prazer e sofrimento. Estes seriam como variáveis opostas que devem ser somadas para obter uma espécie de saldo de bem-estar. Uma vez mais, temos aqui a conotação de que a teoria econômica faz uso do cabedal filosófico para expor seus argumentos. Dor e prazer seriam as duas sensações a que o Homem, do passado e dos dias hodiernos esteve, está e estará sempre exposto. Para alcançar a felicidade procura-se, grosso modo, evitar a primeira e realizar-se plenamente na segunda. Não por acaso, os escritos dos economistas utilitaristas, dentre eles Jeremy Benthan (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873), afiançam esses princípios.

Voltando a Jevons, temos que, o homem nunca está feliz, mas sempre está para ser feliz, e é por esse desafio que é levado a, frequentemente, tomar uma série de decisões ou escolhas dentro de um contexto de pura racionalidade limitada (poucas informações, políticas tendenciosas, etc.).

Nesse pormenor, o processo de escolha, enaltecido por Jevons, seria o objetivo de análise mais considerável do universo da ciência econômica, ainda que paire discordância sobre isso.

No entanto, tudo depende, em termos econômicos, das boas escolhas, nos diz o economista liberal francês Guy Sorman. Essas escolhas, feitas por nós, carregam consigo o postulado defendido com unhas e dentes pela Escola Austríaca de economia, também de cunho liberal, qual seja: é a ação humana que aponta para a capacidade de fazer uma economia prosperar.

Nesse sentido, entendemos que a ação humana é movida pelas ideias que nos levam, na ponta final do processo, às escolhas. Reiteramos, todavia, o cuidado para não confundir ideias com capital humano. As ideias existem em função do capital humano. No entanto, elas somente, isoladas e não levadas a bom termo, não servem para nada. O que nos faz avançar são nossas ações. Leonardo Boff, teólogo brasileiro, a esse respeito é pontual: “Ideias boas podemos até tê-las, mas o que de fato move o mundo são nossas ações”. Reside aí, contudo, o fato de defendermos a inclusão das pessoas no conjunto de operações da economia. Se, de fato, agimos para maximizar nossas vantagens materiais, nada mais justo que inserir e combinar vontades com a participação de cada um. Edmund Phelps, outro nome consagrado da teoria econômica contemporânea reitera que “a boa economia é a que satisfaz a aspiração a uma vida boa”. Isso é, na essência, o que todos buscam ao frequentar o tipo de literatura que mencionamos no início deste artigo; ainda que seja no mais completo autoengano.

Sendo assim, há algo que ainda precisa ser dito: essa situação deixa o ser humano em situação vulnerável e, muitas vezes, dependente (viciado) de estímulos internos e externos. Esse contexto é aproveitado comercialmente pela prática da autoajuda que cumpre papel similar ao da religião. Neste caso, contudo, o faz fornecendo uma espécie de salvação necessária para minimizar impactos negativos de escolhas (ações) erradas ou para contribuir com a obtenção de resultados (objetivos) propostos. Neste caso, ademais, estamos convencidos que a autoajuda seria, na verdade, um completo autoengano.

* Hugo é economista, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e diretor geral das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba.

**Marcus é economista pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco (FEAO), mestre pela USP e professor de economia da Faculdade de Ciências da Fundação Instituto Tecnológico de Osasco (FAC-FITO) e da Fundação Instituto de Ensino para Osasco (UNIFIEO).

http://www.oeconomista.com.br/o-autoengano-e-a-economia-por-hugo-meza-pinto-e-marcus-eduardo-de-oliveira/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Carreira & Sucesso


Quais as profissões que vão bombar no futuro?

Pedimos a especialistas que contassem para a gente que carreiras vão oferecer mais vagas e melhores salários nos próximos cinco anos, exatamente quando você estiver entrando - ou prestes a entrar - no mercado de trabalho. Entre elas estão as profissões de biotecnologa e engenheira ambiental



Para chegar às carreiras apresentadas na edição de agosto (1102) da revista Capricho, os especialistas ficam ligados em tudo o que rola com a economia do país e do mundo. Depois, fazem projeções baseadas nesse cenário. Claro: para decidir que profissão seguir, você tem que levar em conta também outros fatores, principalmente a sua vontade e o que considera ser a sua vocação. Mas vamos combinar que saber quais áreas são mais promissoras é, no mínimo, um ótimo critério de desempate! Então, se ligue!

BIOTECNÓLOGA
Área:
ciência.
Por que apostar: a expectativa de vida no Brasil está aumentando. Hoje, há 19 milhões de idosos no país mas, em 2025, 32 milhões de brasileiros terão mais de 60 anos. E a biotecnologia se encarregará de cuidar da saúde e da qualidade de vida dessas pessoas.
O que estudar: engenharia de bioprocessos, engenharia química e biotecnologia ou tecnologia em bioprocessos.
Quanto ganha: pelo menos R$2,5 mil.

ENGENHEIRA AMBIENTAL
Área:
sustentabilidade
Por que apostar: muito se fala em energias sustentáveis, aproveitamento dos recursos naturais e cuidados para diminuir a poluição. Mas ainda não há especialistas suficientes nessa área e, como infelizmente nossos problemas são sérios, daqui a anos eles continuarão precisando de solução.
O que estudar: engenharia ambiental ou engenharia de recursos hídricos e do meio ambiente.
Quanto ganha: pelo menos R$ 3,5 mil.

ANALISTA DE MÍDIAS DIGITAIS
Área:
internet.
Por que apostar: não é só a gente que adora o Twitter e o Orkut. As redes sociais são o novo meio de comunicação entre empresas e clientes. Dominar as ferramentas delas vai garantir o seu espaço no mercado de trabalho!
O que estudar: relações públicas, publicidade e propaganda, marketing e comunicação social.
Quanto ganha: pelo menos R$ 2,2 mil.

AGENTE DE TURISMO
Área: serviços.
Por que apostar: por causa da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o mercado de turismo crescerá muito no Brasil nos próximos anos. Em 2015, serão ao menos 10% a mais de visitantes do que no ano anterior. E, nas Olimpíadas de 2016, o número de turistas no país deve aumentar em 79% em relação à Copa de 2014!
O que estudar: faculdades de turismo e hotelaria e gastronomia.
Quanto ganha: pelo menos R$ 1,8 mil.

PROGRAMADORA
Área:
tecnologia da informação.
Por que apostar: em 2013, haverá um déficit de profissionais de 140% nessa área no Brasil. Ou seja, para atender o mercado, a oferta de mão de obra teria que mais que dobrar. O que um profissional de TI faz? Cria programas e sistemas, desenvolve sites e cuida do banco de dados de empresas.
O que estudar: engenharia da computação, análise de sistemas ou sistemas da informação.
Quanto ganha: pelo menos R$ 2,5 mil.

ANIMADORA DE 3D
Área:
computação gráfica.
Por que apostar: a indústria de cinema investe cada vez mais nesse formato de filmes - o primeiro 3D brasileiro deve ser lançado neste ano. As redes de TV também já estão estudando formas de produzir e transmitir com essa tecnologia. Além disso, você pode trabalhar criando ilustrações para o mercado publicitário.
O que estudar: design digital, design gráfico e cursos técnicos de design.
Quanto ganha: pelo menos R$ 2 mil.