domingo, 25 de abril de 2010

Me apaixonei...

Bobtail Japonês
Dó, Ré... Mi-kê

Mi-kê — feliz em japonês — é o nome da variante tricolor do Bobtail Japonês, um gato com rabo de coelho. Nunca ouviu falar dele? Não é de admirar, não apenas é relativamente recente no Ocidente, como é tão raro quanto belo.

Na cauda desta raça
Bobtail, ou cauda curta em inglês, mais do que o nome da raça é, já se vê, a sua principal característica. Ela é curta, tão curta que se assemelha à de um coelho, e tão distintiva quanto uma impressão digital, já que não há no mundo duas iguais. O seu comprimento varia entre os oito e os dez centímetros quando esticada mas, por norma, mantém-se enrolada, descrevendo uma curva, mais uma vez, tal como a dos coelhos. Sobre a cauda, resta ainda dizer que a mutação que lhe deu origem nada tem em comum com a que originou o Manx, raça de gatos sem cauda (saiba mais sobre o Manx na edição de Janeiro de 2008, em
www.instinto.pt, tratando-se de raças distintas e sem ligação genética. Comprovada está a relativa frequência de gatos com caudas irregulares em todo o continente asiático.

Símbolo de amizade
Talvez pela raridade, ou, quem sabe pela beleza, ou ainda e apenas porque de facto é um companheirão, o Bobtail Japonês é, no seu país de origem, símbolo de amizade. Preto, branco ou vermelho. Estas as três cores mais desejadas, preferencialmente nas versões bicolor ou tricolor. Esta última variante é de tal modo adorada que recebeu o nome de Mi-kê, feliz, e é venerada em templos, acreditandose que é portadora de sorte, felicidade e bem-aventurança. Daí que a sua imagem, fotos ou qualquer outra representação, seja frequente nas portas de inúmeros estabelecimentos, num gesto de boas- -vindas a quem entra, principalmente retratados com uma das patas dianteiras levantadas, movimento comum nesta raça quando está sentada. Independentemente da cor, o seu pêlo é invariavelmente sedoso e apetecível.

Detalhes

— Tem um miado musical, quase cantado
— É muito palrador
— Tem um fraquinho pelo colo do dono, ou antes, pelo ombro do dono
— É um gato excepcionalmente inteligente
— Dá-se bem em qualquer tipo de casa ou apartamento, desde que sinta que é o seu lar
— As crias são, logo à nascença, maiores do que as de outras raças, desenvolvendo-se mais depressa


Uma questão de estilo e de feitio

Amizade é ainda aquilo que receberão os privilegiados que conseguirem um exemplar desta raça, pois se o que primeiro atrai é o seu porte, musculado mas elegante, dengoso mas esbelto, o que acaba por conquistar o dono é o seu temperamento. Contrariando todos os chavões e preconceitos referentes aos gatos, o Bobtail é fiel, companheiro, tranquilo e afectuoso. Claro que não renega o seu lado felino, o qual está bem presente na sua curiosidade, que dá ainda origem a um outro traço: é um animal sociável e com enorme capacidade de adaptação.

Sem stress
Adora companhia, pelo que sejam crianças, visitas ou outros companheiros de quatro patas, todos são vistos como amigos de brincadeira. Viagens? Nada de pânicos, pois também as tolera com relativo à-vontade, levando a crer que
sem stress é o seu lema de vida.

De oriente a ocidente
A história do Bobtail começa no Japão no século VII, mas a sua aventura a ocidente inicia-se apenas nos finais da década de 60 do século passado, com a chegada de um casal aos Estados Unidos. Na Europa, apenas nos anos 80 é reconhecida como raça em França, graças a Sirikit, uma fêmea trazida de Banguecoque, e a Aikido, um macho, trazidos dos Estados Unidos da América por Hélène Choisnard. Foi precisa a sua divulgação do outro lado do mundo para dinamizar e galvanizar o interesse dos japoneses, que só recentemente começaram a levar esta raça a exposições. Ainda que bastante divulgada e muito apreciada, é ainda uma raça rara, o que aguça o interesse pelo Bobtail Japonês.



Um pouco mais de História

Um dos primeiros relatos em que se faz referência a esta raça data do início do século XVIII, num excerto de um livro do médico alemão Engelbert Kaempfer. Dizia ele, ter encontrado nas terras do Império do Sol Nascente um gato com largas manchas de cor amarela, preta e branca e cuja cauda parecia ter sido dobrada até se partir. Um gato meigo, sem instinto para caçar e que acalentava um único desejo: andar ao colo das mulheres. Este é, por ventura, o primeiro retrato do actualmente raro e idolatrado Bobtail Japonês. Um século antes disso, todavia, em 1602, por decreto-lei, foi proibida a venda ou compra de gatos, os quais se pretendia que andassem soltos e livres pelas ruas, a fim de combaterem a praga de ratos. Ou seja, este pequeno príncipe felino, tornou-se nessa altura no gato vadio do Japão.

http://www.instinto.pt/site/artigo.php?AGtTZAtela9Xr1tela9Xr1=ADdTNVRl

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Economia do Setor Público

Véspera de prova, e como sempre, tentamos colocar mais informações na cabeça em apenas 24 horas. Espero colocar aqui o que aprendi nas aulas do primeiro bimestre de Economia do Setor Público.

Primeiramente, de onde vem o Estado?
Não estou falando do estado como entidade federal, mas sim como instituição. O ser humano recebe, ao longo dos anos, informações sobre o que é bom ou ruim nas igrejas e até na própria formação familiar. Mas sempre há as pessoas que não seguem nenhuma dessas "regras", e é aí que o Estado entra em cena: para instituir a ordem na sociedade, principalmente oferecer segurança, saúde e educação para a população.

E para que o governo sustente isso, implica-se os tributos.

Tributos: correspondem a impostos, taxas de serviços públicos específicos e divisíveis e contribuição de melhoria (decorrente de obras públicas)
(http://www.portaltributario.com.br/)

Os tributos podem ser: Diretos (chega diretamente ao Tesouro Nacional - pela renda e patrimônio) e Indiretos (existe um intermediador até chegar no Tesouro - pelos bens de consumo).

A tributação tem objetivo de controlar o consumo. Os liberais defendem a ideia de que o Estado deve apenas arrecadar o suficiente para manter as instituições de ordem pública (como segurança).

Existem diferenças entre Impostos, Taxas e Contribuição...

Impostos: Não tem a sua finalidade determinada (não entenda isso como desvio de verba, essas coisas, pois isso é mais além...). Ou seja: é direcionado para custear a máquina pública.

Taxas: É a "troca" por algum serviço público. Há um destino para essa arrecadação, por exemplo, a iluminação pública, que é a verba arrecadada pelos municípios.

Contribuição: pode ser especial ou de melhoria, e você sabe qual é a finalidade desse valor que é arrecadado, como por exemplo o INSS.


E isso tudo junto é a famosa "Carga Tributária", que muitos dizem ser abusivas, e outros dizem que é insuficiente... Ela pode ser progressiva (quanto maior a sua renda, maior é o valor que se paga) exemplo: Imposto de Renda;pode ser regressiva (quem possui menor renda acaba pagando mais que o rico, como por exemplo o ICMS); e também pode ser proporcional, a qual é de acordo com a renda (neutro).

E a tarifa?
Tarifa é preço, não é tributo. Porque é cobrado de uma empresa privada!


Mas porque precisamos do governo?
O Estado existe para que ele cubra as "falhas de mercados" existentes. Para os liberais mais radicais, essas falhas não existem, mas assumindo que existem bens públicos, monopólios naturais, informações assimétricas e externalidades, "alguém" precisa colocar ordem, limites para que tudo isso não se torne uma tremenda bagunça...

Pois os bens públicos são de benefício de todos. E para as informações assimétricas, é necessária a fiscalização por órgãos do governo para garantir que as informações serão iguais a todos (é o problema dos limões e dos pêssegos...). É necessário instituições normativas (como a CVM, o BACEN). Por exemplo, a crise subprime, será que haveria a possibilidades de impedir a informação assimétrica ? Sim, com a intervenção do Estado através de órgãos reguladores e com o aumento na taxa de juros. A crise do Subprime foi um tremendo limãozão: houve repasse dos títulos podres pelo mundo...

Mas qual o princípio da tributação?
"A teoria da tributação repousa em dois princípios fundamentais: Neutralidade e Equidade. O princípio da Neutralidade refere-se a não-inferência sobre as decisões de alocação dos recursos tomadas com base no mecanismo de mercado. (...) A neutralidade do ponto de vista da aloação de recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária. Isto é, além de ser neutro, o imposto ideal deveria ainda ser justo, no sentido de garantir uma distribuição equitativa do ônus tributário pelos indivíduos." (Rezende, 1983).

O que isso quer dizer?
Neutralidade: a imposição de tributos não deve alterar o comportamento dos agentes privados (onde é questionada a alíquota única para todos, sem alteração no status quo);
Equidade: existe dois pontos - o critério do benefício (quem recebe os benefícios é quem paga por eles) e a capacidade de contribuição (quem pode mais, paga mais).

A receita possui estágios:
1- Lançamento: é o fato gerador (o boleto que você tem que pagar).
2- Arrecadação: o imposto é lançado e pago para a receita pública.
3- Recolhimento: é quando o valor pago cai diretamente na conta da receita pública.

O efeito TANZI
É a diferença do tempo decorrida entre o fato gerador e o recolhimento, em ambiente inflacionário, corroendo as receitas do governo em termos reais. (A inflação contribui para a redução real da receita do governo, aumentando em consequencia o déficit público).

O efeito Patinkin (Bacha)
É a diferença de tempo entre o empenho da despesa pública e o pagamento. (A inflação propicia uma redução do déficit público por meio da queda real nos gastos públicos).

O efeito Patinkin torna-se mais forte a medida que a inflação vai aumentando, reduzindo o déficit público, superando o efeito Tanzi.

Necessidades de financiamento do setor público
Os resultados fiscais, no conceito primário, podem ser apurados de duas maneiras:
"acima da linha" - a diferença entre receita e despesa não financeiras do setor público (é apurado pela diferença entre fluxos)

"abaixo da linha" - a variação líquida total, interna ou externa, excluídos os encargos financeiros líquidos (diferença entre estoques).

Resultado Nominal: é a receita menos a despesa (déficit nominal). Pelo método "abaixo da linha", o resultado nominal equivale à variação total da dívida fiscal líquida no período.

Resultado Primário: é o resultado nominal sem a parcela referente aos juros nominais sobre a dívida líquida.

Conceito de Crowding Out

(Autor: Paulo Nunes - Economista, Professor e Consultor de Empresas)

O Efeito de Crowding Out (em português, Efeito de Deslocamento ou de Evicção) corresponde a uma redução no investimento e de outras componentes da despesa agregada sensíveis às taxas de juro, sempre que o Estado aumenta a despesa pública. Este efeito é justificado pelo fato de existir um mecanismo de transmissão entre o mercado monetário e o mercado de bens e serviços. De fato, quando o Estado aumenta os seus gastos (ou quando reduz os impostos) ocorre, no curto prazo, um aumento da despesa agregada, aumento esse ampliado pelo efeito do multiplicador da despesa. Contudo, o aumento da despesa (e consequentemente dos preços) originará um aumento da procura de moeda por motivo de transações, que por sua vez irá provocar um aumento das taxas de juro. Este aumento das taxas de juro irá por sua vez provocar uma descida do investimento e de outras componentes da despesa mais sensíveis às taxas de juro. É a esta redução de algumas componentes da despesa agregada após o aumento das despesas públicas que é dada a designação de efeito de crowding out.


Crowding-out: em países com restrição de crédito e mercados financeiros pouco desenvolvidos, o aumento das NFSP (Necessidade de Financiamento do Setor Público) provoca um aumento nas taxas de juros, levando a queda no investimento privado e no produto (efeito deslocamento)

José Jayme Moraes Junior


Senhoriagem:

A senhoriagem ora é definida como o lucro do governo derivado da emissão de moeda, ora como a receita do governo resultante do poder de monopólio de emissão de moeda.

Senhoriagem = receita total do governo oriunda do aumento da base monetária.


quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Informações Assimétricas

Dentro da Economia, existe a teoria da informação assimétrica. Mas o que vem a ser isso?

Podemos exemplificar com a crise sub-prime.
Assimetria significa falta de simetria, ou seja, falta de "alinhamento", neste caso, "alinhamento de informações".

Para a Economia Clássica, toda informação deve ser "disponível" a todos os agentes, o que equilibraria o mercado automaticamente e o Estado interviria se essas informações não estivessem abertas a todos. Mas não é bem assim que a coisa funciona. Na vida real e cruel a teoria não passa de uma forma de pensar, mas de agir, não mesmo.

Pois bem... Se você precisa de vender um carro, mas é aquele carro que está ferrado meSmo. Você vai fazer uso da informação assimétrica: dizer que o carro é filé e esconder os podres do carango para vendê-lo! (Lemon )

Namoro é um conjunto de informações assimétricas... No começo, é um dengo, muito amor pra dar, mas depois... Se a teoria clássica prevalecesse, não existiriam pessoas enganadas! rsrs

Mas, voltando ao economês e ao sub-prime, a assimetria de informações foi o fato gerador da crise. Os títulos podres foram passados a diante, e depois a diante... E deu no que deu. Além do mais, o governo americano facilitou e muito crédito a pessoas com alto risco de endividamento.

Nesse sentido, a teoria diz que uma das medidas para que essa falha não ocorra é o Estado intervir, com algum órgão fiscalizador (Neutro) para que as informações fluam entre os agentes.

E foi isso uma item da matéria aprendida hoje na aula de Economia do Setor Público.
Fica registrado umas das aulas mais legais do curso.

Até mais!
:D

domingo, 17 de janeiro de 2010

Para quem já teve a experiência de viver em outro país vai entender essa música do Gabriel, O Pensador. Ouvi ela pela primeira vez hoje e passou um filme na minha cabeça! Havia esquecido a saudade que senti desse nosso Brasil...

Para quem pensa em passar por essa experiência (seja como dekassegui, intercambista...) eu adianto: saudade vai bater, mas vale a pena. Acredito que longe da terra onde crescemos podemos ter uma outra visão do mundo. Seus planos, sonhos, objetivos se tornam maiores, você passa a olhar mais além. A linha do horizonte é bem mais longe...

Existem brasileiros em toda parte do mundo. A grande maioria saiu daqui em busca de um emprego melhor que proporcione uma melhoria de vida para os familiares que ficaram por aqui. Quem assiste o filme "Jean Charles" pode imaginar como é morar em outro país. (Eu indico!)

Só quem viveu sabe:

Como é terrível desligar o telefone depois de uma conversa com o pessoal do Brasil...
Quanta saudade a gente sente da culinária brasileira!
O vazio que faz não ver o carnaval, nem que seja pela TV...
A tristeza de não ter panetone no final do ano.
O valor de um churrasco no quintal de casa.
Pão francês quentinho com café com leite é uma delícia!

Ouçam e prestem a atenção na letra da música "Brasa" do Gabriel. Diz tudo.



Brasa - Gabriel O Pensador/Lenine

Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:
"o lar do passarinho é o ar, e não o ninho".
E eu voei... Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe.
Não importa quanto tempo, não importa onde.
Num lugar mais frio, ou mais quente de repente, onde a gente é esquisita, um lugar diferente.
Outra língua, outra cultura, outra moeda.
É, vida dura mas eu sou duro na queda.
Se me derrubar... eu me levanto, e fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo, trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração.
Clandestino, imigrante, maltrapilho.
Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio, procurando a sua chance de fazer algum dinheiro, no primeiro mundo com saudade do terceiro.
Família, amigos, meus velhos, meu mano - o meu pequeno mundo em segundo plano.
Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades.
Passei um tempo mal, morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da beleza poluída, da favela iluminada, do tempero da comida, do som da batucada.
Da cultura, da mistura, da estrutura precária.
Da farofa, do pãozinho e da loucura diária.
Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali dormindo, o coroa aposentado.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito, de torcer na arquibancada pro meu time do peito.
A pelada sagrada com a rapaziada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa malícia, da batida de limão, da gelada que delícia!
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral.
Do calor humano, do fundo de quintal.
Do clima, da rima, da festa feita à toa - típica mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro e da cor.
E do nosso jeito de fazer amor.

Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar:
o lar do passarinho é o ninho, e não o ar.
E eu voltei. E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno.
Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno.
Água no feijão, tô na área, bichinho.
Se me derrubar... eu não tô mais sozinho.
Tô de volta sim senhor.
Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.
Mas o amor é cego.
Devo admitir, devo e não nego, que aos poucos fui caindo na real, vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal.
Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país... não dá, não dá pra ser feliz.
E bate uma revolta, e bate uma deprê.
E bate a frustação, e bate o coração pra não morrer.
Mas bate assim cabreiro.
Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero.
Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro.
Os velhos, os filhos, os manos - ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos.
Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas.
Passei um tempo mal, morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da beleza poluída, da favela iluminada, da falta de comida pra quem não tem nada.
Da postura, da usura, da tortura diária.
Da cela especial, da estrutura carcerária.
A chacina de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali pedindo, o coroa acorrentado.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito.
Morrer na arquibancada pro meu time do peito.
O salário suado que não serve pra nada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa milícia, da batida da PM, porrada da polícia.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas de programa dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral, do sorriso mentiroso na campanha eleitoral.
Do clima de festa, da festa feita à toa - ridícula mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro da carniça.
E do nosso, jeito de fazer justiça.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa e a minha casa só precisa de uma boa arrumação.
Muita água e sabão.
Ensaboa, meu irmão.
Não se suja não.
Indignação.
Manifestação.
Mais informação.
Conscientização.
Comunicação.
Com toda razão.
Participação.
No voto e na pressão.
Reivindicação.
Reformulação.
Água e sabão na nossa nação.
Água e sabão, tá na nossa mão.
Tô morrendo de paixão, tô morrendo de paixão...

Um poeta já falou, vendo o homem e seu caminho:
"o lar do passarinho é o ar, e não o ninho".
E eu voei... Eu passei um tempo fora, eu passei um tempo longe.
Não importa quanto tempo, não importa onde.
Num lugar mais frio, ou mais quente de repente, onde a gente é esquisita, um lugar diferente.
Outra língua, outra cultura, outra moeda.
É, vida dura mas eu sou duro na queda.
Se me derrubar... eu me levanto, e fui aos trancos e barrancos, trampo atrás de trampo, trabalhando pra pagar a pensão e superar a tensão do pesadelo da imigração.
Clandestino, imigrante, maltrapilho.
Mais um subdesenvolvido que escolheu o exílio, procurando a sua chance de fazer algum dinheiro, no primeiro mundo com saudade do terceiro.
Família, amigos, meus velhos, meu mano - o meu pequeno mundo em segundo plano.
Eu forcei alguns sorrisos e algumas amizades.
Passei um tempo mal, morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da beleza poluída, da favela iluminada, do tempero da comida, do som da batucada.
Da cultura, da mistura, da estrutura precária.
Da farofa, do pãozinho e da loucura diária.
Do churrasco de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali dormindo, o coroa aposentado.
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito, de torcer na arquibancada pro meu time do peito.
A pelada sagrada com a rapaziada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa malícia, da batida de limão, da gelada que delícia!
Eu tô morrendo de saudade, tô morrendo de saudade...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral.
Do calor humano, do fundo de quintal.
Do clima, da rima, da festa feita à toa - típica mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro e da cor.
E do nosso jeito de fazer amor.

Agora eu sou poeta, vendo o homem a caminhar:
o lar do passarinho é o ninho, e não o ar.
E eu voltei. E eu passei um tempo bem, depois do meu retorno.
Eu e minha gente, coração mais quente, refeição no forno.
Água no feijão, tô na área, bichinho.
Se me derrubar... eu não tô mais sozinho.
Tô de volta sim senhor.
Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor.
Mas o amor é cego.
Devo admitir, devo e não nego, que aos poucos fui caindo na real, vendo como o Brasa tava em brasa, tava mal.
Vendo a minha terra assim em guerra, o meu país... não dá, não dá pra ser feliz.
E bate uma revolta, e bate uma deprê.
E bate a frustação, e bate o coração pra não morrer.
Mas bate assim cabreiro.
Bate no escuro, sem esperança no futuro, bate o desespero.
Bate inseguro, no terceiro mundo, se for, com saudade do primeiro.
Os velhos, os filhos, os manos - ninguém aqui em casa tem direito a fazer planos.
Eu forcei alguns sorrisos e lágrimas risonhas.
Passei um tempo mal, morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da beleza poluída, da favela iluminada, da falta de comida pra quem não tem nada.
Da postura, da usura, da tortura diária.
Da cela especial, da estrutura carcerária.
A chacina de domingo, o rateio e o fiado, a criança ali pedindo, o coroa acorrentado.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Da mulata oferecida, do pagode malfeito.
Morrer na arquibancada pro meu time do peito.
O salário suado que não serve pra nada, o sorriso desdentado na rodinha de piada.
Da malandragem, da nossa milícia, da batida da PM, porrada da polícia.
Eu tô morrendo de vergonha, tô morrendo de vergonha...
Do jornal lá na banca, da notícia pra ler, das garotas de programa dos programas da TV.
Do jeitinho, do improviso, da bagunça geral, do sorriso mentiroso na campanha eleitoral.
Do clima de festa, da festa feita à toa - ridícula mania de levar tudo na boa - do contato, do mato, do cheiro da carniça.
E do nosso, jeito de fazer justiça.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa, casa do meu coração.
Mas eu vou ficar no Brasa porque o Brasa é minha casa e a minha casa só precisa de uma boa arrumação.
Muita água e sabão.
Ensaboa, meu irmão.
Não se suja não.
Indignação.
Manifestação.
Mais informação.
Conscientização.
Comunicação.
Com toda razão.
Participação.
No voto e na pressão.
Reivindicação.
Reformulação.
Água e sabão na nossa nação.
Água e sabão, tá na nossa mão.
Tô morrendo de paixão, tô morrendo de paixão...


sábado, 16 de janeiro de 2010


Iniciamos em 2009 um estudo muito interessante: ECONOVIDA.

Através de Teorias Econômicas podemos explicar a busca sem fim do ser humano pela felicidade. Espero que esse grupo de estudo retome suas atividades em 2010. Esse ano a Santa Cruz vai ter o registro de um ano muito ativo com os futuros economistas!

Abaixo o artigo publicado na Gazeta do Povo em 03/04/2009 pelo meu querido professor e amigo Dr. Hugo Eduardo Meza Pinto, diretor da minha faculdade Santa Cruz.


Econovida

Muita gente tem aversão quando ouve falar de economia ou de economistas. Principalmente as pessoas que acreditam que a economia está ligada à crise ou ao desequilíbrio. Há uma piada que diz que a primeira profissão no mundo foi a do economista porque no início tudo era um caos. Embora essa tirada seja engraçada, esconde um preconceito muito comum. Afinal, é melhor dizer que determinada ciência ou conhecimento é difícil ou incompreensível do que tentar entendê-la.

Assim, a economia vai se tornando uma ciência elitista dominada por poucos. Já viram como tem tanto ex “alguma coisa” dando opiniões sobre a economia? Poderíamos perguntar para essas pessoas por que nos seus mandatos eles não fizeram nada daquilo do que estão propondo agora. Se houver resposta (aliás, nós, economistas, sempre temos resposta para tudo) seria do tipo: “os tempos são outros”, “a realidade mudou” etc. Nada disso justifica o fato de que nesse caso é “melhor fazer o que se fala e não fazer o que já se fez”.

Outro problema que justifica a aversão à economia é o uso do economês. Entendido como língua que somente os economistas entendem e falam, esse dialeto é usado e abusado para explicar desde coisas complexas, como a crise financeira, até o modo de proceder para realizar uma simples aplicação na poupança. Desconfio que nós, economistas, falamos economês para tentar mostrar aos leigos que somos mais inteligentes ou que dominamos o assunto. O resultado desse vício é o aumento da aversão pela economia e pelos economistas. Como mudar isso?

Em 2004 o economista americano Steven Levitt e o jornalista, também americano, Stephen J. Dubner se juntaram para lançar o livro Freakonomics – o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. Com uma linguagem acessível, sem chegar a ser simplista, os autores abordaram assuntos da vida das pessoas comuns e os ligaram à economia. Um das perguntas que fizeram e responderam foi: o que mata mais crianças nos EUA: ter uma arma em casa ou uma piscina? Ter uma piscina é a resposta. Mas não se chegou com base em achismos ou palpites e sim a partir da análise de dados e indicadores de mortalidade de crianças americanas por acidente nas suas próprias casas. O livro foi um marco para mostrar às pessoas comuns que a economia, se bem usada, pode explicar desde situações do dia-a-dia a casos complexos. Depois desse livro surgiria a área da economia destinada a entender de forma simples e clara a vida das pessoas e seu relacionamento com o meio que as envolve. Essa área foi batizada como economia empírica. Atualmente, existe uma ampla literatura sobre o tema – felizmente para a imagem de nós, economistas chatos.

A economia, como toda ciência, nos permite circular entre a abstração teórica e a realidade aplicada, é só fazer o esforço de enquadrar e focar a análise. Assim como o fizeram os gênios Albert Einstein (físico), Louis Pasteur (químico), Stephen Hawking (físico), dentre outros, é possível usar a teoria para explicar fatos concretos de forma direta e simples sem chegar a ser confuso e complexo demais. Esse esforço tem de ser realizado por todos nós.

A economia pode servir também para explicar coisas singelas e, ao mesmo tempo, importantes como, por exemplo, a vida.

No século XVIII, uns economistas identificados como clássicos, disseram que um dos objetivos do ser humano era maximizar o seu bem-estar; mas para chegar a esse estágio, todos nós teríamos de realizar escolhas, já que nossos desejos sempre seriam ilimitados ao contrário dos recursos que, sim, seriam limitados. O tipo de escolhas, portanto, seria vital para maximizar o bem-estar procurado, seja individual ou coletivo. Esses economistas também nos ensinaram que há uma contradição entre o lazer e o trabalho. Na medida em que trabalharmos mais, nos sobrará menos tempo para o lazer. Se optarmos pelo inverso, quanto menos trabalho, mais tempo para o lazer teremos. Porém, com menos dinheiro para poder desfrutar disso. Nesse sentido, a procura pela felicidade e o bem-estar seria um árduo e incansável labor de escolhas diárias. Essas escolhas não precisam ser eminentemente racionais ou irracionais, simplesmente devem procurar nossa felicidade.

Como cada um de nós possui um modo particular de ver a felicidade, cabe a cada um de nós procurá-la da nossa forma. No século XIX, o sociólogo Karl Marx contribuiu sobremaneira com a procura do entendimento da sociedade identificando o homem como um ser social histórico com capacidade de trabalhar e desenvolver a produtividade do trabalho. Esse fato possibilitaria o progresso de sua emancipação da escassez da natureza, o que proporcionaria o desenvolvimento das potencialidades humanas. Mas, para Marx, essa procura pela felicidade estaria sempre caracterizada pela luta entre trabalhadores e os donos do poder e do capital. Já no início do século XX, o economista John Maynard Keynes entendia que o meio sempre tenderia ao desequilíbrio, ou seja, para encontrar o bem-estar seriam necessárias forças externas, já que o simples fato de realizar boas escolhas não garantiria o equilíbrio. Obviamente, os conceitos acima citados tiveram um forte cunho econômico, mas, em um esforço mais amplo, podemos utilizá-los para tratar da vida.

Longe de ser enfadonha, a economia nos ensina de qualquer maneira, seja de forma abstrata ou aplicada, a interpretar o que todos nós temos de mais precioso: nossas vidas.


Hugo Eduardo Meza Pinto é professor e coordenador do curso de Ciências Econômicas das Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sou fã dela!!!

Shakira é eleita uma das pessoas mais importantes de 2010 por revista

'The Economist' deu o título à cantora por sua luta contra a pobreza

Do EGO, no Rio


Ampliar FotoReuters/Agência

Shakira: um das "mais" de 2010

O nome de Shakira não é exatamente um dos mais badalados em uma revista sobre economia, certo? Errado!

A cantora acaba de ser eleita uma das pessoas mais importantes de 2010 pela "The Economist" por seu trabalho contra a pobreza e a favor da educação.

"É uma grande honra, fiquei um pouco surpresa e orgulhosa de me ver ao lado de pessaos como o presidente Obama. É uma coisa que jamais imaginei viver", disse Shakira sobre a eleição.

O Fim da Incompetência - Stephen Kanitz

Casar com a filha do dono da empresa, arrumar emprego público, ter padrinho político ou obedecer piamente às ordens do chefe eram, em linhas gerais, os caminhos para o sucesso no Brasil. QI era sinônimo de "quem indica".

Ter mestrado no exterior, falar cinco idiomas, desenvolver nova tecnologia, caminhos certos para o sucesso no Primeiro Mundo, em nada adiantavam. As empresas brasileiras mamando nas tetas do governo, com créditos subsidiados, numa economia protegida, eram obviamente super-rentáveis, mesmo sem muita sofisticação administrativa. Até um perfeito imbecil tocava uma empresa brasileira naquelas condições, fato que irritava sobremaneira a esquerda e os acadêmicos, que na época dirigiam a economia. Está aí uma das razões menos percebidas da onda de estatização a que assistimos no Brasil.

Contratar pessoas competentes, além de não ser necessário, era desperdício de dinheiro. Num país em que se vendiam carroças a preço de carro importado, engenheiros especializados em airbags morriam de fome. Competência num ambiente daqueles não tinha razão para ser valorizada. Os jovens naquela época não viam necessidade de adquirir conhecimentos, só precisavam passar de ano. Alunos desmotivados geraram professores desmotivados, instalando um perverso círculo vicioso que tomou conta das nossas escolas.

Tudo isso, felizmente, já está mudando. Empresários incompetentes estão quebrando ou vendendo o que sobrou de suas empresas para multinacionais. Por muitos anos, quem no Brasil tivesse um olho era rei. Daqui para a frente, serão necessários dois olhos, e bem abertos. Sai o sábio e erudito sobre o passado e entra o perspicaz previsor do futuro. Sai o improvisador e o esperto, entra o conhecedor do assunto.

A regra básica daqui para a frente é a competência. Competência
profissional, experiência prática e não teórica, habilidades de todos os tipos. De agora em diante, seu sucesso será garantido não por quem o conhece, mas por quem confia em você. Estamos entrando numa nova era no Brasil, a era da meritocracia. Aqueles bônus milionários que um famoso banco de São Paulo vive distribuindo não são para os filhos do dono, mas para os funcionários que demonstraram mérito.

Felizmente, para os jovens que querem subir na vida, o mérito será remunerado, e não desprezado. Já se foi a época em que o melhor aluno da classe era ridicularizado e chamado de CDF. Se seu filho de classe média não está levando o 1º e o 2º grau a sério, ele será rudemente surpreendido pelos filhos de classes mais pobres, que estão estudando como nunca. As classes de baixa renda foram as primeiras a perceber que a era do status quo acabou. Hoje, até filho de rico precisa estudar, e muito.

Vinte anos atrás, eram poucas as empresas brasileiras que tinham programas de recrutamento nas faculdades. Hoje, as empresas possuem ativos programas de recrutamento nas faculdades, não somente aqui, mas também no exterior. Os 200 brasileiros que estão atualmente cursando mestrado em administração lá fora estão sendo disputados a peso de ouro.

Infelizmente, os milhares de jovens competentes de gerações passadas acabaram não desenvolvendo e tiveram seu talento tolhido pelas circunstâncias. Talvez eles não tenham mais pique para desfrutar essa nova era, e na minha opinião essa é a razão da profunda insatisfação atual da velha classe média. Mas, os jovens de hoje, especialmente aqueles que desenvolveram um talento, os estudiosos e competentes, poderão finalmente dormir tranqüilos. Não terão mais de casar com a filha do dono, arrumar um padrinho, aceitar desaforo de um patrão imbecil.

O talento voltou a ser valorizado e remunerado no Brasil como é mundo afora. Talvez ainda mais assustador é reconhecer que o Brasil não será mais dividido entre ricos e pobres, mas sim entre competentes e incompetentes. Os incompetentes que se cuidem.

Publicado na Revista Veja edição 1536 ano 31 nº 9 de 4 de março de 1998